RESENHA DA OBRA – O DISCURSO DO MÉTODO – RENÉ DESCARTES

O DISCURSO DO MÉTODO – RENÉ DESCARTES

 

RESENHA DA OBRA -  ELABORADO  PELO   PROF. REINALDO FONTELES

 

Possibilidades do Conhecimento

 

Somos capazes de conhecer a verdade? É possível ao sujeito apreender o objeto? Afinal, quais são as possibilidades do conhecimento humano?

 

As respostas dadas a essas questões levaram ao surgimento de duas correntes básicas e antagônicas na história da filosofia. Uma é o ceticismo, que diagnostica a impossibilidade de conhecermos a verdade. A outra é o dogmatismo, que defende a possibilidade de conhecermos a verdade.

 

Empirismo

 

É uma teoria filosófica que defende o conhecimento da razão, da verdade e das idéias racionais através da experiência. O empirismo é descrito caracterizado pelo conhecimento científico, a sabedoria é adquirida por percepções; pela origem das idéias por onde se percebe as coisas, independente de seus objetivos e significados;

pela relação de causa-efeito por onde fixamos na mente o que é percebido, atribuindo à percepção causas e efeitos; pela autonomia do sujeito que afirma a variação da consciência de acordo com cada momento; pela concepção da razão que não vê diferença entre o espírito e extensão, como propõe o Racionalismo e ainda pela matemática, como linguagem que afirma a inexistência de hipóteses.

O empirismo defende que todas as nossas idéias são provenientes de nossas percepções sensoriais (visão, audição, tato, paladar, olfato). Como disse o filósofo empirista inglês John Locke: “nada vem à mente sem ter passado pelos sentidos.”

 

Racionalismo

 

Doutrina que afirma que tudo que existe tem uma causa inteligível, mesmo que não possa ser demonstrada de fato, como a origem do Universo. Privilegia a razão em detrimento da experiência do mundo sensível como via de acesso ao conhecimento.

O racionalismo é baseado nos princípios da busca da certeza e da demonstração, sustentados por um conhecimento a priori, ou seja, conhecimentos que não vêm da experiência e são elaborados somente pela razão .  Racionalismo designa a doutrina que atribui exclusiva confiança na razão humana como instrumento capaz de conhecer a verdade. Ou, como recomendou Descartes: “nunca nos devemos deixar persuadir senão pela evidência de nossa razão”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

René Descartes

 

Características do Pensador

 

 

 

Nasceu na França (1596-1650);

-Estudou em colégio Jesuíta;

-Estudou matemática;

-Viajou pela Europa, tendo contatos com vários sábios entre eles Pascal;

-Temendo perseguições religiosas como a de Galileu, teve cautela em expor suas idéias;

-O que publicou é suficientemente vasto e valioso para situá-lo como um dos pais da filosofia moderna, com  efeito , cabe a ele o mérito de ter dado à filosofia os delineamentos que a caracterizam:

- autonomia da filosofia  com relação à teologia ;

- o primeiro e o maior problema por resolver é o do conhecimento, seu valor e contribuição.

- atenção pelo homem , que é colocado como centro de todas as pesquisas – Antropocentrismo.

 

O Discurso do Método ,é a primeira obra filosófica importante de Descartes. Neste breve ensaio , anunciam-se claramente os quatros delineamentos característicos da filosofia moderna mencionados: autonomia da filosofia , orientação gnosiológica ( parte da filosofia que trata de todos os conhecimentos), interesse pelo método, e o antropocentrismo.

Escreve Descartes : “ Todas as ciências são vinculadas entre si por uma cadeia ;não é possível tomar uma delas sem ter compreendido as outras , portanto sem abraçar, ao mesmo tempo, toda a enciclopédia do saber”. E ainda : “ Tal ciência deveria incluir todos os primeiros rudimentos da razão humana e seu domínio  deveria estender-se  até a compreensão  do conhecimento de todas as coisas “.Assim sendo, o mundo e qualquer conhecimento são atingíveis com o novo método.

 

 

Descartes afirmava que, para conhecer a verdade, é preciso, de início, colocar todos os nosso conhecimentos em dúvida. É necessário questionar tudo e analisar, criteriosamente, se existe algo na realidade de que possamos ter plena certeza.

 

Fazendo uma aplicação metódica da dúvida, o filósofo foi considerando como incertas todas as percepções sensoriais, todas as noções adquiridas sobre os objetos materiais.  E prosseguiu assim, colocando cada vez mais em dúvida a existência de tudo que constitui a realidade e o próprio conteúdo dos pensamentos.

Finalmente, estabeleceu que a única verdade totalmente livre de dúvida era a seguinte: meus pensamentos existem. E em seguida observou que a existência desses pensamentos se confundia com a essência da sua própria existência como ser pensante. Disso decorreu a celebre conclusão de Descartes:

sum Cogito ergo (em latim ) ou Penso,logo existo

 

Para Descartes, esse “Penso, logo existo” seria uma verdade absolutamente firme, certa e segura, que, por isso mesmo, deveria ser adotada  como principio básico de toda a sua filosofia.

O termo pensamento utilizado por Descartes tem um sentido bastante amplo, abrangendo tudo o que afirmamos, negamos, sentimos, imaginamos, cremos e sonhamos. Assim, o ser humano era, para ele, uma substância essencialmente pensante.

Da afirmação cartesiana “Penso, logo existo”, que ficou conhecida como cogito, podemos extrair esta importante conseqüência ou corolário (proposição ou sentença que deduz de outra): o pensamento (consciência) é algo mais certo que a própria matéria corporal. Note-se que é a partir do “penso” que ele concluiu “logo existo”.

Baseando-se nesse corolário do cogito, toda filosofia posterior que sofreu a influência de Descartes assumiu uma tendência idealista, isto é, uma tendência a valorizar a atividade do sujeito pensante em relação ao objeto pensado

Em outras palavras, uma tendência a ressaltar a prevalência da consciência subjetiva sobre o ser objetivo, e a considerar a matéria como algo apenas conhecível, se é que o  é, por dedução do que se sabe da mente.

Descartes foi, portanto, um racionalista convicto. Recomendava que desconfiássemos das percepções sensoriais, responsabilizando-as pelos freqüentes erros do conhecimento humano. Dizia que o verdadeiro conhecimento das coisas externas devia ser conseguido através do trabalho lógico da mente.

Nesse sentido, considerava que, no passado, dentre todos os homens que buscaram a verdade nas ciências, “ só os matemáticos puderam encontrar algumas demonstrações, isto é, algumas razões certas e evidentes”.

 

CARACTERÍSTICAS  GERAIS DA OBRA

 

 

O Discurso está dividido em seis partes, e possui uma breve introdução. Nesta, Descartes já enfatiza a divisão do livro e explica o que o leitor encontrará em cada uma das seis partes que tratam pela ordem:

 

Primeira parte: a experiência escolástica de Descartes e seu juízo a respeito das diferentes disciplinas estudadas no colégio jesuíta.

Segunda Parte: principais Regras do Método

Terceira Parte: principais fundamentos da moral.

Quarta Parte: a dúvida metódica e os fundamentos da metafísica, de Deus e da alma humana.

Quinta Parte: o corpo humano , explicação do movimento do coração , e a diferença que ocorre entre a alma humana  e a dos animais .

Sexta Parte: considerações sobre o progresso das ciências e motivos para a publicação da obra em língua francesa , antes que em latim.

PRIMEIRA PARTE

 

A experiência da escolástica  de Descartes e a descoberta de da necessidade de um método rigoroso.

 

1. Necessidade do método.                                                                                        Todos os homens , que são de fato iguais pela inteligência ( bom senso ou razão) conseguem , resultados diferentes segundo o método adotado.Descartes informa ao leitor haver descoberto um método particularmente eficaz e mostra a todos como ele conduziu a sua própria Razão ( p.7- 10).

 

 

2. A história da própria educação e a utilidade do estudo das matérias escolásticas .

Por intermédio das várias disciplinas escolásticas , teria  podido ter adquirido um cognição clara e segura de tudo aquilo que é útil a vida .( história, poesia , retórica, filosofia, teologia. etc…), Disciplinas que o fizeram perceber sempre mais a sua ignorância. De fato , nenhuma disciplina é capaz de ensinar tudo aquilo que é útil a vida. ( PP 10 -20).

 

3. O estudo de si mesmo.

Tomei um dia a decisão de estudar também a mim mesmo e de empregar todas as forças de minha mente para escolher as vias que deveria seguir .( p. 22)

 

SEGUNDA PARTE

 

  1. Dessa parte, podemos destacar as etapas básicas, consideradas pelo filósofo capazes de conduzir o espírito na busca da verdade.                                          
  2.  Regra da evidência – só aceitar algo como verdadeiro desde que seja absolutamente evidente por sua clareza e distinção. Estas idéias claras e distintas. Descartes as encontra na sua própria atividade mental, independentemente das percepções sensoriais externas. Isso faz Descartes propor a existências de idéias inatas (idéias cujas estruturas já nascemos com elas), que são plenamente racionais. Exemplo dessas idéias: as idéias matemáticas, as noções gerais de extensão e movimento, a idéia de infinito etc.
  3. Regra da análise – dividir cada uma das dificuldades surgidas em tantas partes quantas forem necessárias para resolvê-las melhor                                                 
  4.  Regra da síntese – ordenar o raciocínio indo dos problemas mais simples para os mais complexos.                                                                                                 5.Regra da enumeração – realizar verificações completas e gerais para ter absoluta segurança de que nenhum aspecto do problema foi omitido.

 

TERCEIRA PARTE

 

 

Aqui Descarte estabelece máximas morais para bem conduzir sua vida na busca da verdade, são elas:

1 – Nunca ir contra os costumes e normas  dos países por onde ele andou.

Principio da moral provisória. Obedecer às leis e aos costumes do próprio país , praticando a religião na qual se foi instruído desde a infância .

 

2-Evitar influências ( pág. 61 );

Ser firme e resoluto nas ações e opiniões a que se tivesse determinado.

3 – Não desejar (pág. 62-63 );

Resumo das variadas ações para escolher a melhor. Empregar toda a vida a cultivar a razão e progredir o mais possível no conhecimento da verdade.

4 – Viver o método (pág. 64 ).

Exercício do método viajando e estudando.

 

 

 

 

QUARTA PARTE

 

 

Os dois princípios fundamentais da metafísica :O Cogito e a existência de Deus.

 

  1. A dúvida metódica .

Para sair da incerteza  em que fora lançado pela diversidade de opiniões e costumes, Descartes decide rejeitar como absolutamente falso tudo aquilo em que pudesse imaginar a mínima dúvida, a fim de verificar se havia alguma coisa que fosse totalmente indubitável.Portanto, Descartes não pretendia duvidar de tudo , mas apenas tentar duvidar do quanto mais fosse possível, para poder com mais segurança alcançar a verdade.

2 .  A primeira verdade indubitável. O Cogito Ergo Sum.

Observando que esta verdade: Eu Penso, Logo Existo era de tal modo firme e segura ,que todas as demais suposições extravagantes dos céticos não eram capazes de sacudi-las , julguei que podia acolhê-la sem escrúpulo como o princípio da filosofia que eu buscava. ( PP. 60-63 ).

3 . A essência do homem está no pensamento .

De modo que este eu, quer dizer a alma , pela qual eu sou o que sou , é totalmente distinta do corpo e,antes, é mais fácil de se conhecer do que este, e até se este não existisse , não deixaria de ser tudo aquilo que é. (PP. 63-64).

4.O critério da verdade .

Clareza e Distinção. Obtidos esses resultados sensacionais, Descartes passa a                     considerar o que é necessário para uma proposição se verdadeira e certa

5. Demonstração da existência de Deus

Descartes , demonstra a existência de Deus. Prova-a de quatro modos:

- Pelo fato de que temos a idéia de perfeito e não podemos ser nós a causa dessa idéia .( PP – 68-69).

- Pelo fato de que eu não dou a mim mesmo a minha existência.(PP. 70-71).

- Pela idéia de perfeito.(p.72).

- Pela consequências desastrosas que a negação da existência de Deus implica, ou seja, pelo fato de que neste caso qualquer certeza torna-se impossível .

 

NOTA – O CÍRCULO VICIOSO.

 

Descartes, primeiro demonstra a existência de Deus , utilizando-se da regra da clareza e distinção; após diz que o valor dessa regra depende de Deus. Quem garante a clareza e a distinção , ou seja, a verdade do pensamento? A existência Deus. Mas quem garante a existência de Deus? A clareza e  a distinção.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

QUINTA PARTE

 

Verdade de ordem física  – Natureza da alma Humana.

 

  1. O corpo dos animais e do homem.

 

Do ponto de vista filosófico , a coisa mais interessante desta parte é a doutrina da natureza do corpo animal e humano. Relativamente ao corpo , nosso filósofo afirma que não há nenhuma diferença entre homens e animais ; eles são todos autônomos ou máquinas semoventes.

             O que distingue o homem de outros animais é a alma .Na  prática , dado que a alma é invisível , o homem diferencia-se dos animais por duas características : a Linguagem e a Liberdade.

 

  1. A natureza da alma.

A alma movimenta o corpo por meio da vontade .

Descartes , atribui a alma três faculdades: sensação, imaginação e razão.Além disso , divide as idéias em três classes: adventícias( as que dependem dos sentidos) , factícias ( as que dependem da imaginação) e inatas( as que dependem exclusivamente da razão) .

 

SEXTA PARTE

 

Razões da malograda publicação de “ O Mundo”.

 

  1. Duas são as razões principais: Temor de o livro ser condenado pela igreja e o fato de que a obra não era muito desenvolvida e podia dar origem a muitas controvérsias entre os cientistas.

 

 

Caros alunos , espero que esta resenha os auxiliem na difícil compreensão desta valiosa obra . Aproveitem bastante a leitura e boas provas!

Professor  Reinaldo.

 

      

 

 

 

 

         

         

 

 

 

 

 

 

 

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